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Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos

Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) most...

Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos
Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos (Foto: Reprodução)

Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra como o perfil ideológico do Legislativo fluminense mudou ao longo das últimas duas décadas. O levantamento analisou a composição da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e da bancada do estado na Câmara dos Deputados nas últimas cinco eleições. Os dados apontam para o crescimento da presença da direita nas duas casas e para uma mudança na própria composição desse campo político, com maior participação de partidos classificados mais à direita. O estudo é realizado pelo Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM), vinculado ao Departamento de Ciência Política da UFRJ. O laboratório trabalha com indicadores de ideologia utilizados na ciência política e atualiza a classificação quando surgem novos partidos ou quando as siglas passam por mudanças. Alerj: direita ampliou espaço Na Assembleia Legislativa, a mudança aparece na comparação entre as diferentes legislaturas. Em 2002, 52% dos deputados estaduais estavam em partidos classificados como de direita pela metodologia utilizada na pesquisa. Naquele ano, a composição era: 52% de direita; 22% de centro-esquerda; 12% de esquerda; 5% de centro; 5% de centro-direita. Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos Reprodução/TV Globo A partir de 2006, a direita passou a ocupar mais de 60% das cadeiras da Alerj, enquanto os campos de centro-esquerda e esquerda perderam espaço. Em 2010, houve uma recuperação desses grupos. A partir de 2014, porém, a direita voltou a crescer. Em 2018, a esquerda recuou novamente e o centro perdeu espaço na composição da Assembleia. Na atual legislatura, eleita em 2022, o centro deixou de aparecer na classificação utilizada pela pesquisa. Pesquisa da UFRJ mostra avanço da direita na Alerj e na bancada do Rio na Câmara em 20 anos Reprodução/TV Globo Mudança também aconteceu dentro da direita O levantamento não aponta apenas um aumento da presença da direita. Segundo a pesquisa, houve também uma mudança na composição desse campo. Na atual legislatura, mais da metade dos parlamentares classificados à direita está em partidos identificados pelo estudo como de direita ou extrema-direita. Para Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRJ, a mudança representa uma nova configuração dentro desse espectro político. "É um redimensionamento dentro da direita, que antes era hegemonizada por partidos mais tradicionais e passou a ser hegemonizada por esses novos partidos." ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp O movimento identificado pela pesquisa também aparece na Câmara dos Deputados. Rio tem 67% da bancada na direita Na atual legislatura, 67% dos deputados federais do Rio de Janeiro estão classificados no campo da direita, segundo o levantamento. A esquerda representa 23% da bancada. Centro-esquerda e centro-direita aparecem com 4% cada. Segundo Mayra, a mudança na bancada fluminense acompanha um movimento semelhante ao observado na Alerj. "A gente tem um movimento parecido em Brasília e na Alerj: um redimensionamento dentro da direita, que antes era hegemonizada por partidos mais tradicionais e passou a ser hegemonizada por esses novos partidos." O realinhamento das forças políticas no Rio também é apontado por pesquisas acadêmicas anteriores. Um estudo sobre o período de 1982 a 2018 identificou mudanças nas bancadas da Alerj e da Câmara, com o enfraquecimento de partidos que tradicionalmente ocupavam o centro do espectro político fluminense e o crescimento de siglas posicionadas nos extremos. Ideologia não determina todos os votos Apesar da divisão entre esquerda, centro e direita, parlamentares de diferentes campos podem votar juntos em determinados temas. Segundo Mayra, isso acontece, por exemplo, quando estão em discussão assuntos relacionados aos recursos que os próprios deputados controlam. Outro exemplo citado pela pesquisadora são os royalties do petróleo destinados ao estado do Rio de Janeiro. "Quando a coisa diz respeito a royalties do petróleo para o estado do Rio de Janeiro, esses deputados votam juntos." A convergência também é apontada como parte do funcionamento cotidiano do Legislativo. Para Guilherme Brandão, diretor-geral da Câmara dos Deputados, propostas precisam reunir apoio suficiente para avançar. "O que entra na pauta? Aquilo que tem consenso, aquilo que tem voto, aquilo que vai ser aprovado." Jovita Rosa, presidente do Instituto de Fiscalização e Controle, destaca que a negociação entre diferentes posições faz parte de uma sociedade plural. "A população é plural e nós precisamos entrar nesse diálogo. Precisamos que haja pessoas que entendam que ser diferente, que pensar diferente não é ser inimigo."

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