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Paes chama desistência de Garotinho de 'manobra' para eleger Ruas no 1º turno

Garotinho desiste de recurso no TSE, e Ruas pode ser declarado eleito em 1º turno O candidato Eduardo Paes (PSD) acusou, nesta segunda-feira (5), Anthony Garot...

Paes chama desistência de Garotinho de 'manobra' para eleger Ruas no 1º turno
Paes chama desistência de Garotinho de 'manobra' para eleger Ruas no 1º turno (Foto: Reprodução)

Garotinho desiste de recurso no TSE, e Ruas pode ser declarado eleito em 1º turno O candidato Eduardo Paes (PSD) acusou, nesta segunda-feira (5), Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (PL) de fazerem um “jogo ensaiado” para impedir que o segundo turno aconteça na eleição para governador do Rio de Janeiro. A declaração ocorreu após Garotinho desistir do recurso que apresentava ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Em um vídeo publicado nas redes sociais, Paes afirmou que sua campanha já havia denunciado Garotinho como um suposto “candidato laranja” e disse que a desistência do recurso, feita após a votação de domingo (4), representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral. "Hoje, um dia após a eleição, o país recebe a notícia que o próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível ao TSE, para os votos dele serem anulados e o Douglas Ruas ser declarado vencedor. Ou seja, impedir que o segundo turno aconteça. Uma clara interferência no processo eleitoral", disse Paes. Eduardo Paes (PSD) Globo/Manoella Mello A desistência de Garotinho pode alterar o resultado da eleição. O candidato do Republicanos recebeu 274.411 votos, o equivalente a 3,17% dos votos. Como sua candidatura foi indeferida e ele desistiu do recurso no TSE, esses votos podem ser retirados da totalização. Nesse cenário, Douglas Ruas, que terminou a apuração à frente de Paes, ultrapassa 50% dos votos válidos e pode ser declarado governador eleito ainda no primeiro turno. O pedido de desistência, no entanto, precisa ser analisado pela Justiça Eleitoral. A simples apresentação do pedido não equivale, por si só, à homologação judicial. No vídeo, Paes afirmou que sua campanha havia questionado desde o início a candidatura de Garotinho e disse que o objetivo do ex-governador seria provocar instabilidade na eleição. "A minha campanha desde o começo denunciou que o Garotinho era um candidato laranja. A gente foi pra Justiça, disse que ele não podia ir pra urna por causa dos crimes e condenações e que o único objetivo dele seria tumultuar a eleição, mas a Justiça deixou ele livre, inclusive para ir aos debates", afirmou Paes. Na sequência, o candidato do PSD relacionou a desistência do recurso ao possível encerramento da disputa ainda no primeiro turno. Paes afirmou ainda que, na avaliação dele, a manobra retiraria dos eleitores a possibilidade de decidir a disputa em uma segunda votação. O que foi protocolado? Garotinho desiste de recurso no TSE A defesa de Garotinho protocolou no TSE um termo de desistência do recurso ordinário eleitoral que discutia o registro da candidatura. O processo está sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques. No documento, protocolado às 14h09, os advogados afirmam que a decisão de Garotinho é “livre, expressa, consciente e irretratável”. Os advogados citam o artigo 998 do Código de Processo Civil e sustentam que Garotinho pode desistir do recurso a qualquer momento, sem necessidade de concordância das demais partes. O resultado, no entanto, ainda depende da formalização da desistência e de uma eventual retotalização pela Justiça Eleitoral. O tribunal ainda não se posicionou. "Eu fiz a minha parte. Se vai dar, se não vai dar, é um julgamento marcado lá. Eu fiz questão de fazer [protocolar] hoje cedo", disse Garotinho. O que muda? Com 100% das urnas apuradas, Ruas teve 4.271.199 votos e apareceu com 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho teve 274.411 votos, equivalentes a 3,17%. Sem os votos de Garotinho na base de cálculo, o percentual dos candidatos subiria, e Ruas ultrapassaria os 50% necessários para vencer a eleição no primeiro turno. Se os votos forem considerados nulos, porém, nada muda. O TSE não se posicionou sobre o que será feito caso o pedido de Garotinho seja aceito. Garotinho votou em colégio na Zona Sul do Rio Guilherme Vizane/ TV Globo Com os votos de Garotinho, a totalização reúne 8.669.038 votos distribuídos entre os nove candidatos. O resultado com 100% das urnas apuradas, ficou assim (só os três primeiros colocados): Douglas Ruas (PL): 49,27% — 4.271.199 votos Eduardo Paes (PSD): 42,76% — 3.706.984 votos Garotinho (Republicanos): 3,17% — 274.411 votos, anulados sub judice Nesse cenário, Ruas fica abaixo dos 50%, e os dois candidatos mais votados são convocados para o 2º turno. Sem os 274.411 votos de Garotinho, a base da totalização cairia de 8.669.038 para 8.394.627 votos. Com os mesmos votos recebidos pelos outros candidatos, mas uma base menor para o cálculo dos percentuais, os números sobem, e o cenário ficaria assim: Douglas Ruas (PL): 50,88% — 4.271.199 votos Eduardo Paes (PSD): 44,16% — 3.706.984 votos Nesse segundo cenário, Ruas ultrapassa os 50% e teria votos suficientes para vencer a eleição no primeiro turno. Liminar suspensa O processo de registro de candidatura de Garotinho foi indeferido pelo TRE-RJ por conta de uma condenação por improbidade administrativa. A defesa do ex-governador argumenta que o período de inelegibilidade teria se encerrado em julho — e recorreu. O recurso foi apresentado ao próprio TRE-RJ, que colhe parecer do Ministério Público Eleitoral e de outros interessados na ação — entre elas a coligação de Eduardo Paes — e remete à corte superior. Este é o processo que define a validade ou não dos votos dados a Garotinho. Em outra frente, o ex-governador entrou no TSE para garantir sua campanha mesmo com o indeferimento da candidatura. Foi nesse processo que o ministro Floriano Marques decidiu, na última sexta-feira (2), que os votos dados a Garotinho não deveriam ser considerados. No domingo, no entanto, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos dados a Garotinho fossem “considerados no cálculo dos percentuais obtidos por cada concorrente ao pleito majoritário, até que seja proferida decisão colegiada pelo Tribunal Superior Eleitoral”.

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