Mulher filmada fazendo gesto nazista ao votar no Rio presta depoimento
Polícia identifica mulher que fez símbolo nazista em votação no RJ A mulher filmada fazendo uma saudação nazista prestou depoimento na 10ª DP (Botafogo) ...
Polícia identifica mulher que fez símbolo nazista em votação no RJ A mulher filmada fazendo uma saudação nazista prestou depoimento na 10ª DP (Botafogo) sobre o caso. A professora de inglês Erica Marques Pinho, de 46 anos, chegou pouco antes das 11h e deixou o local por volta das 13h20, sem falar com a imprensa. Antes de Erica chegar à delegacia, o advogado dela afirmou que ela foi chamada de nazista e racista por estar com uma camisa do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e um boné com a frase "Make America Great Again", que significa “torne os Estados Unidos grandes novamente”, em tradução livre, um slogan popularizado na campanha presidencial de Donald Trump de 2016. "Ela foi chamada de nazista, de racista, porque estava com o boné do Trump. Quando ela levanta o braço, foi um tom de deboche às acusações recebidas, sem intenção de expressar adesão ao racismo", disse o advogado Marcello Ramalho. O advogado afirmou ainda que, no seu depoimento, sua cliente vai pedir desculpas à comunidade judaica, e que os comentários dela na discussão com o homem judeu que filmou a cena foram "no calor da discussão". "Ela respeita profundamente a comunidade judaica e ela vai pedir excusas à comunidade judaica", pontuou. Polícia ouve testemunhas e tenta marcar depoimento de mulher filmada fazendo saudação nazista Relembre o caso O caso ocorreu no fim da manhã no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul, e foi registrado na delegacia do bairro como injúria por preconceito. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Eleitores denunciam mulher fazendo saudação nazista após votar no Rio Reprodução Eleitores denunciam mulher fazendo saudação nazista após votar no Rio Eleitor se sentiu ofendido Ian Andrade, que é judeu e gravou o momento em que tudo aconteceu, descreveu sua reação: “Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo.” Ao gravar a cena, Ian Andrade questionou a mulher sobre o gesto. Segundo ele, uma amiga havia contado que a eleitora fizera a saudação na entrada do local. Como não presenciou o primeiro episódio, ele decidiu esperar a mulher sair para verificar o que havia acontecido. “Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, afirmou. O episódio, segundo ele, provocou indignação também entre outras pessoas que estavam no local. Parte delas observou a discussão, enquanto outras pegaram os celulares para filmar. Ian contou que estava usando uma camiseta branca, sem adesivos ou referências políticas, e que seguiria para um almoço de aniversário na casa da avó. Ele também afirmou que não percebeu nenhuma explicação da mulher para o gesto. O vídeo mostra a mulher cruzando o pátio da escola rumo à saída fazendo o gesto historicamente associado ao regime de Adolf Hitler — caracterizado por erguer o braço direito estendido para a frente e ligeiramente para cima, com a mão aberta e os dedos unidos. LEIA TAMBÉM: Votação no exterior: veja onde Lula e Flávio venceram no segundo turno Que horas o TSE anuncia o resultado do segundo turno? Até que horas é possível votar no segundo turno? Nota da Fierj Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) manifestou repúdio ao episódio: "Conforme relato recebido pela Federação, acompanhado de registro em vídeo, uma mulher teria realizado reiteradamente a saudação nazista, inclusive após ser questionada por cidadãos que presenciaram a cena. Ao ser informada de que um dos presentes era judeu, teria respondido: 'Pior ainda'. Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo. É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira. A FIERJ informa que o caso foi levado ao conhecimento das autoridades policiais e acompanhará sua apuração, cobrando a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas legais cabíveis", diz a nota. Contexto histórico Depois que os nazistas chegaram ao poder, em 1933, a saudação passou a ser amplamente utilizada na Alemanha, inclusive em cerimônias oficiais e situações cotidianas. Geralmente era acompanhada da expressão “Heil Hitler”, ou “Salve Hitler”, em tradução livre. O gesto se tornou um dos símbolos do regime nazista, responsável pelo Holocausto, o assassinato sistemático de cerca de 6 milhões de judeus, além da perseguição e morte de milhões de outras pessoas, durante o período em que Hitler esteve no poder, de 1933 a 1945.