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'Mordeu, arranhou, bateu': quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj

Quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj A agressão contra médicos durante o atendimento a pacientes tem se tornado uma rotina sil...

'Mordeu, arranhou, bateu': quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj
'Mordeu, arranhou, bateu': quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj (Foto: Reprodução)

Quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj A agressão contra médicos durante o atendimento a pacientes tem se tornado uma rotina silenciosa nos hospitais e unidades de saúde do Rio de Janeiro. Um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) aponta que quase mil profissionais sofreram algum tipo de violência no estado desde 2018, como mostrou o RJ2 nesta quinta-feira (7). Os registros foram feitos por meio do Portal Defesa Médica, plataforma criada para receber denúncias de ataques contra profissionais da saúde. Segundo o levantamento, as mulheres são as principais vítimas. Entre 2018 e 2025, foram contabilizados: 89 agressões físicas, sendo 60 contra mulheres; 459 agressões verbais, das quais 297 tiveram médicas como vítimas; 208 casos de assédio moral, sendo 121 contra mulheres. A médica Amanda Gil está entre os médicos que sofreram violência durante o trabalho. Ela conta que foi atacada enquanto fazia a reavaliação de um paciente durante um plantão na madrugada. “Eu fui agredida enquanto fazia a reavaliação de um paciente às quatro da manhã. A mãe queria um exame de imagem para o filho dela. Eu expliquei que ia solicitar, mas precisava de autorização de outro hospital. Ela não acreditou em mim”, relatou. Segundo a médica, a acompanhante a atacou fisicamente dentro da unidade. “Ela montou em cima de mim na maca, mordeu, arranhou, bateu. Eu tive que fazer corpo de delito”, disse. “Devido à agressão que eu sofri, eu não consegui voltar a dar plantão. Acabei abandonando o plantão de pediatria”, contou. Quase mil médicos sofreram agressões no RJ desde 2018, diz Cremerj Reprodução 🟩 O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Morte de paciente e sequelas de agressões Outro caso aconteceu no Hospital de Irajá, na Zona Norte do Rio, em julho de 2023. Sandra Rodrigues estava sozinha no plantão quando foi agredida por pai e filha que buscavam atendimento para um corte no dedo. Enquanto a médica era atacada, uma paciente de 82 anos que estava na sala vermelha morreu de insuficiência cardiorrespiratória. “Eu fiquei com uma lesão de bacia porque passei praticamente 10 meses com dificuldade para andar. Hoje tenho dor crônica”, afirmou. Botão de pânico e rotas de fuga O caso motivou a criação de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelece normas de segurança para ambientes hospitalares. Entre as medidas previstas estão: criação de rotas de fuga; espaços de refúgio para profissionais; instalação de botão de pânico nas unidades. A médica Sandra Rodrigues afirma que algumas mudanças foram implementadas, mas diz que a maior parte da rede pública ainda não oferece segurança adequada. “Em um dos lugares onde eu trabalho mudou bastante coisa. Tem botão de pânico e segurança. Mas a grande maioria da rede não mudou. Pelo contrário: a precarização dos contratos piorou a capacidade do profissional registrar a agressão porque ele é ameaçado para não registrar”, disse. Violência afasta profissionais de áreas de risco Relator da resolução do CFM, o médico Raphael Câmara afirma que a violência afasta profissionais de áreas consideradas de risco. “A agressão contra médicos provoca afastamento de profissionais. Aqui no Rio é muito difícil encontrar médicos para trabalhar em algumas comunidades porque eles são ameaçados e colocados em risco”, declarou. O presidente do Cremerj, Antônio Braga, defendeu medidas mais rígidas para proteger os profissionais da saúde. “É preciso dar um basta na violência contra os médicos. Sem segurança não haverá médicos, e sem médicos não teremos saúde”, afirmou.

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