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Mais de 700 celulares são apreendidos em presídios do RJ em 40 dias de revistas intensificadas

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Mais de 700 celulares são apreendidos em presídios do RJ em 40 dias de revistas intensificadas
Mais de 700 celulares são apreendidos em presídios do RJ em 40 dias de revistas intensificadas (Foto: Reprodução)

Mais de 700 celulares são apreendidos em presídios do RJ em 40 dias de revistas intensificadas Mais de 700 celulares foram apreendidos dentro de presídios do Rio de Janeiro nos últimos 40 dias, desde que a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) intensificou as revistas nas unidades. Os aparelhos foram encontrados escondidos em celas e outros espaços dos presídios. O número expõe um problema antigo do sistema penitenciário fluminense: atualmente, apenas duas das 48 unidades prisionais do estado contam com bloqueadores de sinal de celular. Em uma das apreensões recentes, agentes precisaram usar uma ferramenta para localizar um aparelho escondido. Em outro caso, um celular foi encontrado dentro de uma caixa de tomada. Bloqueadores em apenas duas unidades Os bloqueadores de sinal estão instalados nas penitenciárias Gabriel Ferreira e Castilho, conhecida como Bangu 3, e Jonas Lopes de Carvalho, Bangu 4. As duas unidades abrigam, juntas, cerca de 2,8 mil presos, enquanto o sistema penitenciário do estado tem aproximadamente 48 mil detentos. O serviço de bloqueio é prestado pela empresa IMC Tecnologia em Segurança. O contrato foi assinado em setembro do ano passado pela então Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e tem validade até novembro de 2028. Mais de 700 celulares são apreendidos em presídios do RJ em 40 dias de revistas intensificadas Reprodução/TV Globo O custo mensal é de R$ 845,4 mil. Bangu 3 é destinada a presos ligados ao Comando Vermelho. Já Bangu 4 abriga detentos ligados ao Terceiro Comando Puro. Mesmo com o bloqueio, presos de Bangu 4 já tentaram encontrar formas de acessar a internet. No mês passado, uma encomenda enviada pelos Correios para um detento chamou a atenção dos agentes. O objeto parecia ser um rádio, mas uma inspeção de raio-X identificou uma antena de internet via satélite escondida dentro do equipamento. O aparelho foi apreendido e o preso levado para isolamento. Tentativas de bloquear celulares são antigas A discussão sobre o uso de bloqueadores em presídios no Rio não é nova. Em outubro de 2002, equipamentos foram instalados no Complexo de Bangu para impedir a comunicação de presos por telefone celular. Na época, porém, o bloqueio também interrompeu o sinal dos aparelhos de moradores que viviam no entorno do complexo. Mais de duas décadas depois, a tecnologia ainda não está presente na maior parte das unidades prisionais do estado. Governo prevê ampliar bloqueadores A Secretaria de Estado de Polícia Penal informou que pretende ampliar o serviço de bloqueio de sinal para todas as unidades do sistema penitenciário. Ainda não há, porém, uma data definida para que os novos equipamentos entrem em funcionamento. Segundo a secretaria, já existe uma previsão orçamentária de quase R$ 12 milhões por mês para a expansão do serviço. O governo do estado tem até o ano que vem para efetivar a contratação. A Seppen afirma, no entanto, que considera o custo desse tipo de tecnologia alto para o estado. A secretaria defende como alternativa uma mudança na forma de operação, permitindo que as próprias empresas de telefonia façam o bloqueio dos aparelhos em um raio determinado ao redor dos presídios. Empresa teve contrato cancelado no Rio Grande do Sul A IMC Tecnologia em Segurança, responsável pelos bloqueadores instalados nas duas unidades do Rio, também chegou a ser contratada pelo governo do Rio Grande do Sul para prestar o mesmo tipo de serviço. O contrato, porém, foi cancelado em março, segundo publicação no Diário Oficial daquele estado. De acordo com o documento, a decisão ocorreu por "perda de confiança na execução contratual" e pelo histórico infracional da empresa. O que disseram os envolvidos A secretaria enviou um posicionamento, leia na íntegra: "A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informa que são realizadas fiscalizações rotineiras no que diz respeito aos serviços contratados. As vistorias são realizadas pela Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen) para verificar o funcionamento adequado dos equipamentos. Em caso de intercorrência, imediatamente a empresa é acionada para adotar as medidas cabíveis. Sobre starlink, trata-se de uma operação não autorizada pela Anatel. No entanto, ações sistemáticas vêm sendo realizadas, no âmbito da Operação Illicitus, para combater o crime organizado no sistema prisional fluminense. A instituição reconhece que é inquestionável que um aparelho de telefone em presídio é objeto de crime. Inclusive, as revistas foram intensificadas visando à desarticulação das facções, por meio da interrupção da comunicação entre criminosos presos e em liberdade. A Seppen aproveita para ressaltar a necessidade de uma normativa para endurecer a legislação no que tange à interrupção de sinais em presídios, de modo que seja uma ação efetiva e com menos gasto ao Poder Público. A secretaria reitera a importância das ações de repressão nos estabelecimentos prisionais para o enfraquecimento do crime organizado, em prol da segurança da população, e reforça o seu compromisso com a transparência pública, operando sob o controle da legalidade para garantir a ordem do sistema prisional fluminense." Procurada, a IMC Tecnologia em Segurança afirmou que os sistemas instalados nos presídios do Rio estão operantes. Sobre o contrato no Rio Grande do Sul, a empresa disse que houve divergências técnicas relacionadas às frequências utilizadas pelo sistema de bloqueio. Segundo a IMC, a rescisão do contrato está sendo tratada pela Comissão Mista de Conciliação Administrativa do governo do Rio Grande do Sul. A empresa afirmou ainda que aguarda a conclusão do procedimento.

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