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Imagens mostram suspeito preso por assalto na Tijuca em outro bairro na hora do crime; defesa questiona reconhecimento por foto

Guilherme e Tainá são gravados caminhando no Rio Comprido 8 minutos antes do do criminoso aparecer fugindo na Tijuca. O Gabriel / Arquivo pessoal A família d...

Imagens mostram suspeito preso por assalto na Tijuca em outro bairro na hora do crime; defesa questiona reconhecimento por foto
Imagens mostram suspeito preso por assalto na Tijuca em outro bairro na hora do crime; defesa questiona reconhecimento por foto (Foto: Reprodução)

Guilherme e Tainá são gravados caminhando no Rio Comprido 8 minutos antes do do criminoso aparecer fugindo na Tijuca. O Gabriel / Arquivo pessoal A família do mototaxista Guilherme Fernando da Conceição Gomes, de 33 anos, preso no último domingo (3), afirma que ele é inocente e foi levado à cadeia por falhas na investigação que o apontaram como um dos autores do assalto contra um policial militar de folga, na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A defesa de Guilherme disse que ele foi preso apenas por reconhecimento fotográfico, o que seria irregular. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Além disso, imagens de câmeras de segurança mostram Guilherme caminhando com a esposa no Rio Comprido minutos antes do crime. Para a advogada Yara Moraes, as imagens comprovam que ele não poderia estar no local do assalto. "Meu marido é pai de família, é trabalhador, é esforçado. Ele jamais faria isso (...) Eu quero que a pessoa que é responsável se entregue, porque o meu marido é inocente”, afirmou a esposa de Guilherme, Tainá Andrade. Vídeos em alta no g1 A reportagem também teve acesso a vídeos da fuga dos criminosos na Tijuca e a fotos da motocicleta apresentada pela família como sendo o veículo de Guilherme. Os modelos têm cores diferentes. Tainá Andrade disse ainda que Guilherme sofreu uma queda de moto na manhã de domingo, por volta das 6h30, procurou atendimento no Hospital Municipal Miguel Couto e acabou preso após ter uma foto tirada por policiais dentro da unidade de saúde. Segundo ela, ele foi confundido com o assaltante. Segundo a Polícia Civil, Guilherme foi conduzido do hospital por policiais militares à 19ª DP (Tijuca) e reconhecido por três vítimas como autor da tentativa de roubo. Já a Polícia Militar informou que o assalto terminou com um suspeito baleado e morto. O outro assaltante fugiu após o confronto, de acordo com a corporação. A PM disse não ter informações sobre esse homem. O Ministério Público decidiu denunciar Guilherme por tentativa de roubo majorado e se manifestou contra o pedido de liberdade apresentado pela defesa do mototaxista. A Justiça manteve a prisão preventiva. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Guilherme no Rio Comprido na hora do crime Imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem mostram Guilherme e a esposa caminhando pela Rua Paulo de Frontin, no Rio Comprido, cerca de 6 minutos antes do horário da tentativa de assalto na Tijuca. A moto utilizada no assalto na Tijuca é vermelha. Guilherme trabalha como entregador e tem uma moto amarela. O Gabriel / Arquivo pessoal Segundo a defesa, as gravações mostram o casal, às 11h33, indo em direção a um ponto de ônibus para seguir até o Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul. O g1 também teve acesso a mensagens trocadas pela esposa de Guilherme. Entre os prints apresentados pela família estão mensagens atribuídas a Guilherme enviadas à esposa às 6h31 de domingo, nas quais ele pede ajuda após ter caído de moto. A defesa também apresentou prints de pesquisas de rota para o Hospital Miguel Couto feitas por Tainá no celular, às 11h38, antes do assalto que ocorreu às 11h42. Além disso, a esposa de Guilherme apresentou uma conversa em que pede dinheiro emprestado a uma amiga às 11h45 para pagar um transporte até o hospital. “Ele falou que não estava conseguindo mexer as mãos dele para poder pilotar a moto. Então a gente decidiu ir de ônibus”, afirmou Tainá. Tainá, Guilherme e o filho Enzo Reprodução redes sociais O g1 também teve acesso a imagens da fuga dos criminosos após a tentativa de assalto na Tijuca. Em um dos vídeos, é possível observar características da motocicleta utilizada pelos suspeitos. A motocicleta registrada nas imagens da Tijuca tem características diferentes da moto que seria de Guilherme. As imagens das câmeras de segurança, no entanto, não permitem identificar o rosto do piloto. Ordem cronológica De acordo com o Registro de Ocorrência da 19ª DP, a tentativa de assalto aconteceu por volta das 11h45 na esquina da Rua Pareto com a Rua Heitor Beltrão, na Tijuca. Segundo o policial militar Luciano Ferreira Rodrigues, que estava de folga, ele dirigia um Fiat Siena acompanhado da esposa e do filho de 5 anos, quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. O PM afirmou que o carona apontou uma arma para dentro do carro e anunciou o assalto. Ainda segundo o relato, o criminoso chegou a mirar a arma em direção à criança. PM de folga reage a assalto na Tijuca e baleia suspeito O policial contou que esperou o momento em que o sinal abriu e o piloto da moto acelerou. Nesse instante, segundo ele, o garupa perdeu o equilíbrio e abaixou a arma. O PM então reagiu e efetuou cerca de seis disparos. Ainda conforme o registro, um dos suspeitos caiu próximo à UPA da Tijuca e morreu. O outro conseguiu fugir. Linha do tempo 6h30 — Guilherme sofre uma queda de moto nas proximidades do Turano, onde mora, segundo informações da família. Ele volta pra casa em seguida. 10h — Guilherme sente dores mais fortes no braço e no ombro. Por volta de 11h — Guilherme decide procurar atendimento médico no Hospital Miguel Couto, na Gávea. 11h34 — Câmeras mostram Guilherme e a esposa caminhando pela Rua Paulo de Frontin, no Rio Comprido. 11h38 — Registros do celular de Tainá mostram pesquisas de rota para o Hospital Miguel Couto no Google Maps. 11h45 — Tainá pede dinheiro emprestado a uma amiga para pagar transporte até o hospital. 11h45 — Segundo o Registro de Ocorrência, acontece a tentativa de assalto contra o policial militar Luciano Ferreira Rodrigues na Rua Pareto com Rua Heitor Beltrão, na Tijuca. Logo após o assalto — O policial reage e atira contra os suspeitos. Um deles cai próximo à UPA da Tijuca e morre. O outro foge de moto, segundo o RO. 12h27 — A Secretaria Municipal de Saúde informa que Guilherme deu entrada oficialmente no Hospital Miguel Couto. 13h07 — Guilherme recebe alta médica, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Depois da alta, Guilherme é conduzido à 19ª DP (Tijuca). A defesa de Guilherme afirma que, no mesmo período do assalto, ele caminhava pelo Rio Comprido em direção ao ponto de ônibus para ir ao hospital, com dores no braço por conta da queda que teve na manhã de domingo, às 6h30. Em outra câmera de segurança, Guilherme aparece passando pela Rua Paulo de Frontin às 11h33 e 11h34. Atendimento no hospital A Secretaria Municipal de Saúde informou que Guilherme deu entrada no Hospital Miguel Couto às 12h27 “com relato de acidente automobilístico”. Segundo a pasta, ele foi atendido pela ortopedia, realizou exames de imagem e recebeu alta às 13h07. Para a defesa, os horários reforçam a tese de que Guilherme não poderia estar na Tijuca no momento do crime. Já a Justiça entendeu que as gravações não são suficientes, neste momento, para afastar a suspeita de participação no assalto. Na decisão que manteve a prisão, o juiz afirmou que os horários exibidos nas câmeras podem estar descalibrados e que “a mera juntada das imagens com menção ao horário específico, por si só, não constitui prova cabal” de que Guilherme não praticou o crime. Reconhecimento por foto questionado De acordo com Tainá, policiais abordaram Guilherme dentro do Hospital Miguel Couto após ele passar pelo atendimento médico. “O policial falou: ‘pô cara, tem um menino que acabou de chegar baleado minutos antes de você que mora no mesmo lugar que você e a gente ta achando muito estranho, porque ele foi baleado e vocês moram no mesmo local’”, contou Tainá. “Depois veio mais dois policiais pra tirar foto do rosto dele enviar para la, enviar para ca (...) Ele estava parado e já bateram a foto do rosto dele, enquanto ele estava distraído”, completou. Guilherme Fernando da Conceição Gomes, de 33 anos, trabalha fazendo entrega por aplicativo. Reprodução No Registro de Ocorrência, o policial militar vítima do assalto relatou que inicialmente não reconheceu Guilherme na fotografia apresentada pela Polícia Civil. Segundo o documento, a esposa do PM, o sobrinho dele e um amigo, que estavam no carro a vo dos bandidos, teriam reconhecido “imediatamente” o suspeito. A advogada Yara Moraes afirmou que o procedimento foi irregular. “Esse tipo de postura é completamente ilegal. A vítima precisa descrever o assaltante, não pode tirar uma foto e apresentar diretamente para vítimas e testemunhas. Não existe nenhuma previsão legal para isso”, questionou a advogada. O Código de Processo Penal prevê que o reconhecimento de suspeitos deve seguir regras específicas, como descrição prévia da pessoa a ser reconhecida e apresentação do suspeito ao lado de outras pessoas com características semelhantes. Decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça também têm restringido condenações baseadas apenas em reconhecimento fotográfico. “Faltou investigação. O correto, para eles consertarem o erro, seria eles terem ouvido o Guilherme e a esposa, irem no prédio buscar câmeras de segurança, verificar a moto do crime. Eles tinham que investigar”, afirmou a advogada. Justiça mantém prisão preventiva Guilherme passou por audiência de custódia na terça-feira (5). Na ocasião, a defesa pediu o relaxamento da prisão e, alternativamente, a concessão de liberdade provisória. O Ministério Público defendeu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, alegando gravidade concreta dos fatos e necessidade de garantia da ordem pública. Na decisão, o juiz afirmou que o custodiado foi reconhecido por vítima e testemunhas e considerou que não havia elementos suficientes para apontar ilegalidade na prisão naquele momento processual. Posteriormente, o MP apresentou denúncia formal contra Guilherme por tentativa de roubo majorado. A moto utilizada no assalto na Tijuca é vermelha. Guilherme trabalha como entregador e tem uma moto amarela. O Gabriel / Arquivo pessoal Ao se manifestar contra o pedido de liberdade da defesa, o Ministério Público argumentou que as lesões apresentadas por Guilherme e o fato de ele ter sofrido um acidente de moto no mesmo dia da ocorrência seriam compatíveis com a dinâmica narrada pelas vítimas. Na decisão mais recente, a Justiça manteve a prisão preventiva e afirmou que os elementos apresentados pela defesa ainda precisam ser analisados durante a instrução criminal. O que dizem os citados A Polícia Civil informou que Guilherme foi conduzido por policiais militares à 19ª DP (Tijuca) e reconhecido por três vítimas como autor da tentativa de roubo. “Ele foi assistido por advogados durante todo o processo e não quis prestar depoimento. O homem foi autuado em flagrante e o caso foi encaminhado à Justiça”, afirmou a corporação. Já a Polícia Militar informou que policiais foram acionados para a UPA da Tijuca após a reação do policial militar de folga à tentativa de assalto. Segundo a PM, “um deles conseguiu fugir com a moto” e “o outro ficou ferido e foi socorrido à UPA”. A corporação acrescentou que não tinha informação sobre o outro suspeito que fugiu. A Secretaria Municipal de Saúde informou que Guilherme deu entrada no Hospital Miguel Couto às 12h27 com “relato de acidente automobilístico”, passou pela ortopedia, fez exames de imagem e foi liberado às 13h07. O Ministério Público do Rio foi procurado pela reportagem. Contudo, até a última atualização não houve resposta.

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