Comércio do Centro do Rio tenta driblar a chuva frequente em março
Estabelecimentos do Rio tentam driblar chuva e manter clientela A sequência de dias chuvosos em março tem afetado o movimento do comércio no Rio de Janeiro. ...
Estabelecimentos do Rio tentam driblar chuva e manter clientela A sequência de dias chuvosos em março tem afetado o movimento do comércio no Rio de Janeiro. Em 13 dias do mês, choveu em 10 deles, segundo o sistema Alerta Rio, da prefeitura. A situação preocupa comerciantes, principalmente os que trabalham em lojas de rua. Em alguns casos, a queda nas vendas chega a 70% nos dias de chuva. Um dos locais mais afetados é a Saara — tradicional polo de comércio popular do Centro da cidade. O nome é a sigla para Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, mas, quando chove, o movimento lembra um verdadeiro deserto. “Fica meio deserto. A gente fica aqui na frente tentando chamar os clientes, mas o movimento cai muito”, diz o comerciante Vivaldo Camargo. O presidente do Polo Saara, André Haddad, afirma que a chuva afasta os consumidores e reduz drasticamente o fluxo nas lojas. Segundo ele, na loja de uniformes que administra, o número de clientes pode cair até 70% em dias chuvosos. “Os lojistas de rua já estão habituados a isso. A chuva realmente é um inconveniente porque diminui o fluxo de pessoas na rua”, afirma. Para tentar compensar as perdas, muitos comerciantes passaram a investir mais nas vendas online e nas entregas por aplicativos. Mesmo assim, Haddad diz que há dificuldades em dias de chuva. “As corridas costumam ser canceladas e fica mais difícil garantir a entrega”, explica. Durante as gravações na Saara, a chuva chegou a parar e voltar várias vezes ao longo do dia. mês segue a tendência de precipitações intensas registrada recentemente na cidade. De acordo com o Alerta Rio, fevereiro foi o mês mais chuvoso já registrado no município desde o início da série histórica do sistema, em 1997, com mais de 350 milímetros acumulados. Bares e restaurantes também sentem impacto O setor de bares e restaurantes também registra queda no movimento em dias de chuva. Segundo Mariana Rezende, vice-presidente de comunicação do SindRio, o comportamento do público carioca contribui para o impacto no faturamento. “A chuva acaba interferindo muito no movimento de bares e restaurantes porque o carioca evita sair em dias de chuva. Então o movimento cai bastante”, diz. Ela explica que muitos estabelecimentos dependem das mesas ao ar livre. “A maior parte do público gosta de ocupar as áreas externas. Com a chuva, como muitas calçadas não têm cobertura, o espaço de atendimento diminui muito.” Em alguns bares, a queda no faturamento pode chegar a 40%. Mesmo assim, alguns clientes continuam frequentando os estabelecimentos — principalmente moradores da região ou grupos que não abrem mão do encontro entre amigos, mesmo com o tempo fechado. Esperança com o Dia do Consumidor Se a chuva tem sido dor de cabeça para os comericantes, o Dia do Consumidor, celebrado dia 15, traz esperança de melhoras. Levantamento do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro, feito com comerciantes do mercado carioca, aponta que 100% dos lojistas pretendem realizar algum tipo de promoção no Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março. A pesquisa indica que as ações vão desde descontos e ofertas especiais até estratégias consideradas inovadoras para atrair clientes. A data, que acontece uma semana depois do Dia Internacional da Mulher, tem sido tratada pelo setor como uma espécie de “Black Friday do primeiro trimestre”, por causa das promoções e vantagens oferecidas pelas empresas. A expectativa do comércio é de aumento da demanda, tanto nas lojas físicas quanto nas vendas on-line, já que o setor se mobiliza para estimular o consumo ao longo da semana. Segundo os lojistas ouvidos na pesquisa, os descontos devem variar entre 5% e 50%, dependendo do tipo de produto, do nível de estoque, da localização das lojas e da estratégia adotada por cada estabelecimento. O presidente das duas entidades, Aldo Gonçalves, afirma que as promoções podem beneficiar comerciantes e consumidores. “Os comerciantes estão atentos aos movimentos do mercado e cada vez mais sintonizados com as datas do setor. Isso pode ajudar a melhorar o caixa das empresas, ao mesmo tempo em que desperta o interesse do consumidor”, diz.