Ciclista morto espancado em Copacabana apanhou por 9 minutos: veja o que se sabe
Polícia prende quarto homem pela morte de ciclista em Copacabana Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, morreu após ser espancado por quatro homens em Copacaba...
Polícia prende quarto homem pela morte de ciclista em Copacabana Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, morreu após ser espancado por quatro homens em Copacabana, na Zona Sul do Rio, na noite de 11 de agosto. Seguranças e entregadores de aplicativo acharam que ele tinha roubado uma bicicleta, mas o veículo era da irmã dele. Três dos quatro envolvidos estão presos. Um quarto suspeito é considerado foragido. Segundo a Polícia Civil, os quatro foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima. Veja o que se sabe sobre o caso: O que aconteceu? Cláudio saiu de casa para passear de bicicleta na noite de 11 de agosto. Segundo a família, ele tinha transtornos mentais e falava pouco. Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que perguntou se a bicicleta era dele. Cláudio respondeu que não — a bicicleta, de fato, era da irmã. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Segundo a investigação, Davi passou a suspeitar que Cláudio tivesse furtado a bicicleta e chamou dois entregadores que passavam pelo local. Imagens mostram que o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirou a bicicleta de Cláudio à força. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e correu. Cláudio se sentou em frente a um prédio, na Rua Felipe Oliveira, onde voltou a ser cercado pelos homens. Os dois entregadores se juntaram a Davi e começaram a agredi-lo. Cláudio Rafael Landeiro Reprodução As agressões duraram quase nove minutos e foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. Cláudio não reagiu. Depois, ele ficou agonizando por cerca de meia hora na calçada. Bombeiros foram chamados e levaram Cláudio para o hospital, mas ele não resistiu. Quem são os envolvidos? Davi Santos Machado, de 21 anos: segurança de rua. Ele aparece nas imagens agredindo Cláudio com um cacetete e dando diversos golpes na cabeça da vítima. Segundo a polícia, inicialmente prestou depoimento como testemunha e negou ter participado das agressões. No dia seguinte, voltou à delegacia e confessou o crime. Jorge Luiz Ricardo Dias: outro segurança de rua envolvido no caso. Ele aparece em imagens carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta de Cláudio. A Justiça decretou a prisão dele, mas Jorge está foragido. Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos: entregador. Ele aparece nas imagens participando das agressões. Felipe se entregou à polícia na tarde desta quinta-feira (21). Ailton José da Silva: também entregador. Ele aparece nas imagens espancando Cláudio. Teve a prisão decretada pela Justiça e está foragido. O que Davi disse à polícia? Davi prestou depoimento cinco dias depois do crime, inicialmente na condição de testemunha. Segundo a polícia, ele mentiu e afirmou que não tinha visto nem participado das agressões. No dia seguinte, porém, voltou à delegacia e confessou ter agredido Cláudio. No depoimento, Davi afirmou que ele e os dois entregadores passaram a dar socos e pontapés na vítima. Disse também que usou um cacetete para golpeá-la. Cláudio Rafael Landeiro no vídeo gravado pelos próprios agressores Reprodução Segundo o relato, em um “ato insano”, ele deu vários golpes na cabeça de Cláudio e afirmou não saber explicar o que o levou a agir daquela forma. Davi também declarou que não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Ainda segundo o depoimento, Cláudio não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens. Davi afirmou que não ouviu a vítima pedir socorro. O que Jorge disse? Jorge afirmou à polícia que viu Davi e os dois entregadores agredindo Cláudio enquanto ele estava caído na calçada e sem reação. Ele não participou das agressões, segundo seu depoimento e o de Davi. Segundo o depoimento, depois de deixar o local, Jorge perguntou a Davi se ele “ia ficar rindo” e se tinha noção do que havia feito. De acordo com Jorge, Davi não respondeu e continuou rindo. O que mostram as imagens? Os vídeos mostram os quatro homens envolvidos em diferentes momentos da ocorrência. Parte das imagens foi gravada pelos próprios agressores. Em um dos vídeos, enquanto Cláudio é agredido, um dos homens diz: “É pra aprender a lição. É tropa do ódio”. Homem com vareta deu 30 pauladas em Cláudio Reprodução/TV Globo As imagens também mostram Jorge carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta da vítima. A polícia identificou ainda outro homem que aparece dando um chute na cabeça de Cláudio. Ele ainda não foi identificado e também será investigado. Por que eles atacaram Cláudio? A investigação aponta que Cláudio foi confundido com um ladrão de bicicleta. Segundo o delegado Ângelo Lages, Davi abordou os dois entregadores que passavam pela região e disse que havia “um ladrão de bicicleta” no local. A polícia, porém, não encontrou informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. O veículo pertencia à irmã de Cláudio. O que a polícia investiga? Além das circunstâncias da morte, a Polícia Civil investiga a atuação dos chamados “seguranças de rua”. Segundo o delegado, a segurança privada só pode ser exercida dentro de propriedades particulares. A atuação em vias públicas, de acordo com ele, caracteriza prestação de serviço clandestina e pode configurar exercício ilegal da profissão. A polícia também pretende identificar outras pessoas que possam ter participado ou contribuído para as agressões. Qual foi a conclusão da polícia até agora? Davi, Jorge, Felipe e Ailton foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas são: Meio cruel, pela forma como Cláudio foi agredido; Motivo fútil, já que o ataque começou por uma suspeita de furto que não foi comprovada; Impossibilidade de defesa da vítima, que estava cercada e foi agredida por vários homens. Três dos quatro suspeitos estão presos. A investigação continua para esclarecer toda a dinâmica do crime e identificar outras pessoas que possam ter participado das agressões.